"A gente fica muito satisfeito por essa reunião, porque é um momento em que participamos juntos. É necessário essas parcerias para melhorar nossa saúde indígena. Antes não aconteciam esses encontros para falar das nossas necessidades, então só tenho a agradecer por esse momento”, evidenciou o cacique.
A coordenadora de Saúde Indígena (Coesi) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Alessandra Macial, explicou que a elaboração do plano é um marco histórico para as comunidades tradicionais do Estado, e que esse é um dos passos importantes para ouvir, dialogar e entender os desafios enfrentados, a partir disso, desenvolver estratégias que garantam o melhor atendimento e assistência aos indígenas.

"Esse primeiro momento do workshop é para falarmos dos territórios indígenas, da atenção primária à saúde ofertada, para que, junto a instituições, possamos criar instrumentos de trabalho de forma integrada. O Governo do Estado quer promover atenção especializada e diferenciada para os povos originários, respeitando a cultura e as especificidades. Muitos deles procuram por unidades hospitalares, mas às vezes acabam tendo dificuldades, como na comunicação, por conta do idioma. Então, nosso objetivo é aproximar essas lideranças, ouvir as demandas e entender para podermos trabalhar de forma mais acolhedora e garantir uma saúde mais compreensiva e humanizada", explicou Alessandra.
Compondo o dispositivo, o gestor adjunto Josieldo Orlando, da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), representando a secretária Sonia Jeanjaque, defendeu a representatividade da repartição dentro do governo como uma ferramenta fundamental para alcançar melhorias.
"A Sepi é uma secretaria transversal que trabalha na formulação das políticas públicas em parceria com várias outras secretarias. Então, também acompanhamos os serviços de saúde para que atendam nossos parentes de forma mais humanizada. Ficamos felizes quando vemos um profissional nosso nos atendendo, porque compreendem nossas necessidades. Nessas iniciativas, agradecemos ao Governo do Estado que está nos apoiando, porque esse momento é necessário, tanto para nós como também para os profissionais que atuam nas unidades básicas e precisam dessa compreensão", reforçou Orlando.
O evento aconteceu pela manhã e seguiu pela tarde com momentos de palestras de gestores da saúde sobre os acessos aos direitos básicos. Em seguida, houve uma dinâmica de escuta dividida em grupos para cada liderança falar de suas dificuldades e, mediante isso, apresentar soluções para contribuir com a construção do Plano de Saúde Indígena.
Durante as discussões, uma dos desafios apresentados foram a falta de entendimento na comunicação em algumas instituições de saúde, em vista disso, foi exigido respeito com a língua materna e solicitado intérpretes indígenas nas unidades básicas. Além disso, foi comentado sobre logística e suporte estrutural ao sair de seus territórios para tratamento em cidades mais distantes.

O 1º workshop atendeu povos indígenas do território Wajãpi da aldeia Aramirã, em Pedra Branca do Amapari. O próximo evento deve acontecer no município de Oiapoque, com as etnias Karipuna, Galibi-Maworno, Galibi-Kaliña e Palikur. Posteriormente, está previsto atender Macapá e Santana.
O encontro foi realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e contou com as equipes das coordenações de Saúde Indígena (Coesi), de Política da Atenção Primária (Cepas), de Saúde Mental, Unidades Descentralizadas e de Apoio e Diagnóstico (CAD). Além do apoio da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), da Prefeitura Municipal de Pedra Branca e da Unidade Mista de Saúde.
Saúde indígena
A atual gestão do Governo do Amapá tem intensificado ações voltadas à saúde indígena. Em agosto de 2024, a "Operação Opuka" realizou mais de 2 mil atendimentos e distribuiu cerca de 3,5 mil medicamentos na aldeia Aramirã, território Wajãpi, em Pedra Branca do Amapari. A ação contou com serviços de saúde bucal, clínica médica, apoio ao diagnóstico e exames laboratoriais, além de acolhimento de enfermagem.
O programa "Mais Sorriso", em parceria com a ONG Doutores da Amazônia e outras instituições, levou serviços odontológicos e médicos especializados para a mesma região, beneficiando os indígenas Wajãpi. A ação contou com a participação de 40 profissionais de saúde voluntários, oferecendo atendimentos em odontologia, oftalmologia, pediatria e clínica geral, além de exames.
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